Acho um equívoco com pitada de preconceito esta frase que está tão na moda e que, de repente, começou a pipocar em tudo que é lugar. Primeiro. O que é roupa de criança?

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Você usaria estas roupas no seu filho? Vendo a foto acima, provavelmente, em algum momento você pensou: “Nossa, coitada. Como eles brincavam com estas roupas?” Mas você já pensou alguma vez: “Nossa, essa criança vai ter um problema psicológico porque está usando uma roupa igual ao do seu pai”? Provavelmente, não. Porque cada uma delas está usando uma roupa que reflete a cultura e a época em que viveu. E a distinção entre roupa de adulto e roupa de criança é recente em tempos históricos. A roupa que meu pai usava não era tão diferente do que a do meu avô (e eu não sou tão velha assim).

Nossas roupas têm estampas das princesas da Disney, heróis da Marvel e bonecos pixelizados porque faz parte da nossa cultura e, daqui a alguns anos, quando escreverem a história da moda infantil desta década, isso estará lá estampado nos livros.

Mas existe muito mais do que “isso”. Uma busca por uma vida mais saudável: alimentos e tecidos orgânicos. Por uma vida mais simples: o normcore. Mais pessoas praticando esportes: tênis, tecidos e uma pegada mais esportiva até nas roupas casuais. Retorno aos valores do passado: crochê, tricô e bordados manuais. E por aí vai. Trazer este universo de possibilidades para a moda infantil é culturalmente rico. A roupa é mais do que um pano que cobre o corpo, é uma forma de expressão.

Vivemos também no tempo em que ter é mais do que ser, do culto excessivo da vaidade, da ostentação, do sexo explícito e do mundo virtual. Não é a toa que temos meninas cada vez mais novas que usam maquiagem, frequentam cabeleireiros, usam roupas provocantes e queiram o acessório da moda. Meninos que trocam o futebol, tão desacreditado, pelo videogame e tablets e brinquem de fazer coleção de tudo.

Em meio a tudo isso, cabe a nós, pais, a difícil tarefa de ensinarmos valores e darmos bons exemplos. E acredito que, exatamente por sermos pais, temos a incrível oportunidade de nos questionarmos o tempo todo sobre quais são estes valores e que exemplo estamos dando aos nossos filhos.

Acredito também que creditar os problemas do nosso tempo ao simples modismo de usar roupa igual ao do pai e da mãe ou a algumas marcas terem suas versões infantis, como alguns textos sugerem, é um tanto raso. Crianças nunca precisaram estar “uniformizadas de crianças” para serem crianças.